Jeferson Morgado - Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007 às 04:30
Sob a Coordenação da Dra. Elisabeth Wagner, Diretora-Geral do Centro de Recursos Ambientais - CRA, da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídrícos da Bahia, foi realizado nos dias 7 e 8 de novembro corrente um seminário destinado discutir os impactos causados pela cultura do eucalipto no sul da Bahia.
Além dos técnicos do CRA também compareceram representantes das empresas instaladas na região, Veracel, Suzano e Aracruz, bem como ONGs da região, como o Fórum Florestal, o Fórum Socioambiental, o Movimento de Defesa de Porto Seguro - MDPS e movimentos sociais, como MST e MLT. Também tiveram participação ativa pesquisadores da USP (Dr. Walter Lima), UFBA (Dr. Pedro Bernardo Rocha) e Instituto de Pesquisas Sociais e UNIFACS (Dr. Fermando Pedrão). O Ministério Público da Bahia também fez-se representar pelo Dr. Antônio Sergio Mendes, Coordenador do Núcleo da Mata Atlântica - NUMA, que afirmou que o Ministério Público da Bahia está vigilante quanto à proteção do meio ambiente.
Afirmou que o
promotor local, Dr. Maurício Magnavita está sintonizado com o Numa, tendo
inclusive já proposto algumas representações contra projetos empresariais
prejudiciais ao meio ambiente da região.
Durante as discussões, ficou muito clara a divergência entre o entendimento das
empresas e dos movimentos sociais e ONGs sobre os benefícios e malefícios da
cultura do eucalipto, com muitas críticas, em especial sobre a expulsão de
pequenos agricultores das suas terras e as agressões ao meio ambiente. Do lado
das empresas, há o entendimento de que a instalação de fábricas de celulose na
região trouxe uma expressiva criação de empregos e um aumento do IDH ( índice
de desenvolvimento humano da ONU) para as cidades da região, de cerca de 32,
quando a média da Bahia é de 16, em média.
Os pesquisadores, por seu turno, mostraram que o eucalipto, na sua fase de crescimento, consome uma grande quantidade de água, tanto do solo, como das precipitações que caem nas plantações. Foi mostrado também que qualquer cultura que não respeite as áreas de proteção de nascentes e das margens dos cursos d’água, como córregos, riachos e rios, incluindo a pecuária das nossas fazendas, acaba prejudicando fortemente o regime desses cursos d’água. Uma das cenas mais comuns e, ao mesmo tempo mais tristes de nossas fazendas de gado é a gente andar pelos pastos e ver leitos do que um dia foi um córrego, um riacho, ou que os rios que ainda correm mas estão completamente assoreados. A solução? Tão simples quanto difícil: recuperar as nascentes e as margens, as famosas APPs (Áreas de Proteção Permanente), através do reflorestamento com plantas nativas. Também é necessário que pensemos em demarcar e averbar todas as reservas legais de TODAS as propriedades no Brasil.
Outro ponto
discutido foi a proposta de zoneamento econômico-ecológico, que deverá ser
implantado na região até meados do ano que vem.
As palestras e discussões estenderam-se por dois dias e os resultados foram
considerados muito satisfatórios.