POR WENDERSON WANZELLER - Segunda-feira, 22 de Outubro de 2007 às 07:42
Só compreende a profundidade da raiva aquele que sofre o constrangimento. A aviação aérea comercial está um verdadeiro mangue. O descaso, os erros primários e a concorrência a qualquer preço, estão contribuindo para o caos. As companhias que se cuidem. Pois do jeito que as coisas andam, elas terão que pagar - ao invés de receber - para continuar transportando passageiros.
Me considero uma pessoa esclarecida. Sou atuário, articulista, comentarista, apresentador de TV e, nas horas vagas, aluno do curso de aviação civil. Contudo, fui vítima de um erro primário pela falta de clareza na prestação dos serviços da companhia aérea GOL.
Atordoado pelo ocorrido, consultei alguns formadores de opinião. Jornalistas, médicos, professores, advogados... queria me certificar de que tal constrangimento poderia ocorrer com qualquer um. Afinal de contas, foi a minha capacidade de interpretação que entrou em xeque.
No último domingo, perto das 20h00 do dia 14/10/2007, eu tentava embarcar com a minha família no aeroporto do Rio de Janeiro, tendo como destino, a capital Sergipana. Em nossa passagem aérea - impressa pela internet - continha o seguinte texto:
“Domingo, 14 Out 07 Vôo 1964 Partida RIO-Galeão-Rio (GIG) em 00:01 e chegada em (AJU) em 02:15 (Próximo dia)”.
Pense rápido e responda: Qual o diaque você chegaria no destino informado? Qual o diaem que você se deslocaria para o embarque?
Se você respondeu segunda-feira e domingo, então seu vôo também estaria perdido. Observando que a chegada ocorreria em “02:15 (Próximo dia)” fica entendido que o desembarque seria na segunda-feira. Pois embarcando na madrugada do sábado para o domingo – como teoricamente teria que ocorrer - a viagem duraria mais de 24 horas.
Fico pensando nas centenas de pessoas que passaram por este ou por outros casos semelhantes. É impagável a tristeza da incerteza, da espera no saguão e da impossibilidade do retorno ao lar. Não se justifica, em hipótese alguma, esse tipo de indução ao erro.
A aviação comercial é coisa muito séria. Reflete nacional e internacionalmente. Já deixei de viajar, por diversas vezes, por conta da possível consequência de um atraso. E a queda do turismo também já é uma realidade. Milhares de pessoas evitaram o transporte aéreo nos últimos meses. Um prejuízo considerável para quem sobrevive do turismo no Brasil.
Foi-se o tempo onde podíamos, por exemplo, programar a nossa agenda de acordo com as companhias aéreas. Não conheço um único executivo que ouse a fazer tal programação. Imagino os milhões em negócios que já foram perdidos por conta dos atrasos e dos cancelamentos de vôos.
Desejo, da forma mais veemente possível, que todos os responsáveis por esses tipos de falhas sejam responsabilizados. Ressalto que em nenhum momento perdi o equilíbrio. Paguei por outra passagem e segui o meu destino. O troco vem agora, com este artigo e com as manifestações que se seguirão.
Os abusos já transcenderam o limite do suportável. Precisamos reagir, nos manifestar. Com o discurso de que as passagens estão acessíveis a todos, a qualidade no atendimento vem caindo vertiginosamente. Isso é inaceitável.
Processar? Reclamar os meus direitos? Claro que vou. Aliás, todos nós devemos recorrer a tal ato. Não adianta xingar, chorar ou perder a linha. Discutir com os funcionários do “check-in” é a mesma coisa que gritar com o carteiro pelo recebimento de uma correspondência indesejada.
Me lembro que, quando pequeno, eu preferia ganhar uma surra do que um castigo duradouro. O que proponho, neste caso, é o castigo nas companhias. Uma chuva de manifestos e de processos. Quem sabe, dessa forma, voltaremos a ser respeitados.
Aos leitores, que fiquem atentos. Aos injustiçados, que se manifestem. A GOL, que arque com as consequências.
Wenderson Wanzeller