- Sexta-feira, 14 de Setembro de 2007 às 08:13
Em 2006, a rede pública de ensino no Brasil teve 311 mil alunos a menos do que no ano anterior, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O número representa um encolhimento de 0,7% e equivale à população de uma cidade do porte do Guarujá (SP).
A queda foi acentuada especialmente no ensino médio: o número recuou de 8,13 milhões de matriculados para 8,03 milhões. O IBGE aponta que a diminuição pode ser resultado, em parte, de mudanças na estrutura demográfica.
O fato é que as escolas particulares, no mesmo período, assistiram ao incremento de 7.000 matriculados nessa faixa - o que sugere que os alunos trocaram de rede de ensino.
De modo geral, o número de estudantes de escolas particulares aumentou em 7,5%, com 781 mil estudantes a mais que no ano anterior, ainda segundo informações da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio).
A menina dos olhos da rede privada foi o ensino superior, que aumentou em 15,3% o número de alunos entre 2005 e 2006, passando de 3,85 milhões de matriculados para 4,44 milhões. No sistema público também houve aumento, embora mais tímido: passou de 1,34 milhões para 1,44 milhões, expansão de cerca de 7%.
Apesar da diminuição no número de matriculados em todas as faixas de escolaridade (de 43,99 milhões para 43,67 milhões), o sistema público ainda é responsável pela educação de 80,3% dos brasileiros.
A participação das escolas privadas no ensino superior é menor nas regiões norte e nordeste, onde os universitários da rede pública chegam a, respectivamente, 41,9% e 36,6% do total. No sudeste, apenas 18,2% dos estudantes de ensino superior estudam em universidades públicas.
ProUni
Programas do governo federal estão por trás da expansão do número de matriculados no ensino superior privado.
Pelos números do MEC, existem 306 mil estudantes beneficiados pelo ProUni, que atende alunos de baixa renda e estudantes de escolas públicas. Eles recebem a bolsa e a instituição fica isenta de pagar impostos. A universidade pode oferecer até uma bolsa para cada 10 alunos.
O aquecimento do mercado das faculdades privadas tem levado muitas a oferecer bolsas com recursos próprios. Para não perder aluno para a concorrência cada vez mais maior, as instituições têm criado diversos tipos de desconto: bolsa-idade, bolsa mérito etc.
As instituições querem atingir estudantes das classes C e D, cada vez mais importantes para esse mercado.
Segundo números do MEC (Ministério da Educação), 27,5% dos alunos de ensino superior privado no país têm renda familiar de até três salários mínimos.